Como estimar o valuation de uma startup – Parte 1

02/07/19
Por: Filipe Drumond Reis

Avaliar quanto vale um negócio nunca é tarefa simples para qualquer empresa. Para startups esta tarefa se torna ainda mais complexa, uma vez que há pouco histórico, pouca ou nenhuma receita ou lucros e uma grande incerteza. Para empresas maduras, com fluxo de caixa constantes, normalmente é uma questão de valorar como um múltiplo de seus lucros ou com base na projeção do seu fluxo de caixa futuro descontado a valor presente. Contudo, para startups não há uma metodologia única e, diante das incertezas, pode-se considerar infinitas variáveis.

De uma forma simples, o valuation de uma startup representa o valor que um investidor está disposto a arriscar para participar de um potencial retorno no futuro. Diante desta premissa, derivam dois componentes essenciais a um valuation:  a proximidade deste retorno e a incerteza deste processo.

Uma startup fica mais próxima do retorno ao superar algumas etapas, como: testar e validar as hipóteses do problema que busca resolver e sua proposta de valor, validar seu MVP,  gerar receitas, desenvolver modelo consistente de aquisição de clientes, validar seu modelo de negócio, demonstrar estar pronta para expandir e escalar.

Em paralelo, uma startup minimiza a incerteza do retorno de seu investimento ao demonstrar que possui equipe e competências necessárias para seu desenvolvimento, que seu caminho de crescimento é consistente, que seu mercado é expressivo, que seus clientes estão satisfeitos e indicam sua solução, que tem uma estrutura de gestão e governança adequada, que possui tecnologia e know-how diferenciados e que tem recursos para desenvolver o negócio.

Nesse contexto, o primeiro ponto é considerar o estágio da startup. Algumas ainda podem ser apenas uma ideia, com quase nenhuma receita, com um mercado ainda ganhando maturidade, com um produto em fase de protótipo ou em teste, com empreendedores de diferentes perfis, mas nem sempre dedicando 100% ao negócio e com diferentes necessidades de capital. Outras podem já estar com o produto e mercado validado e estão em busca de recursos para desenvolver e tracionar no mercado e outras já estão me busca de uma expansão.

De certa forma, o mercado de investimento em startups, ainda que no Brasil esteja amadurecendo, já precifica as startups diante do estágio que elas estão e indica que tipo de investidor tem mais aderência a cada etapa.

 

 

A fase de validação é o momento que a startup desenvolve seu MVP e testa seu produto, mercado e modelo de negócio. Nesta fase, a empresa tem faixas de valuation entre 1 e 3 milhões de reais, sendo alvo de investidores anjo, aceleradoras e “FFF – Family, friends and fools”.

Na fase de implantação e tração a startup tem o desafio de ajustar sua estratégia de desenvolvimento de mercado (Product Market Fit – PMF), buscando conquistar clientes e aumentar o faturamento. Nesta fase, a empresa tem faixas de valuation entre 2 e 10 milhões de reais, sendo alvo de investidores anjo ou grupo de investidores e fundos de seed.

Na fase de escalada há diferentes estágios, chamados de Series A, Series B e Series C que basicamente são estágios de expansão em que a empresa já está estabelecida e busca crescer em um ritmo acelerado. Nesta fase, o valuation varia entre 10 e valores superiores a 50 milhões de reais, sendo alvo de investidores qualificados, club deals e fundos de venture capital.

Diante dos estágios e valores pré-estabelecidos o desafio de um valuation, na prática, é diferenciar em que patamar da faixa a empresa se encontra, sendo que muitas vezes a questão é muito mais qual o recurso que a empresa precisa e qual percentual de equity está disposta e pode abrir mão. Nesse ponto, cabe uma reflexão que nem sempre o maior valor é o que uma startup deve buscar, uma vez que se o valuation for muito alto a empresa pode ter dificuldades de captar em rodadas seguintes e pode dificultar que o investidor enxergue potencial de ganho. Por outro lado, se for muito baixo pode significar uma diluição excessiva dos fundadores o que compromete novas captações no futuro.

No próximo ensaio iremos falar sobre fatores que influenciam no valuation e alguns métodos utilizados.

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