Crise na Petrobras faz indústria do Vale do Aço buscar novos mercados

23/04/15

Após se preparar para atender o setor de óleo e gás e a indústria naval, os fabricantes de bens de capital instalados no Vale do Aço se viram obrigados a demitir pessoal, frente ao cancelamento de pedidos, provocado pelos problemas envolvendo a Petrobras. Estimativas da regional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) apontam que cerca 500 trabalhadores ligados apenas à produção de equipamentos destinados a esses segmentos foram demitidos nos últimos meses.

“Sem dúvida, o que está acontecendo (com a Petrobras) impactou a indústria metalmecânica da região. As empresas voltadas para os setores de óleo e gás e naval tiveram encomendas canceladas, foram registradas demissões e agora elas estão tentando se reposicionar para atender outros mercados”, explica o presidente da regional da Fiemg no Vale do Aço, Luciano Araújo.

Segundo ele, nos últimos anos, a indústria metalmecânica da região se viu obrigada a se qualificar para atender outras atividades, na tentativa de diversificar sua carteira de clientes, em função do momento pelo qual passa a siderurgia nacional, com retração da produção devido à concorrência com o aço e estruturas metálicas importadas, especialmente da China.

E a solução, à época, foi investir no atendimento da indústria de óleo e gás e naval, que se colocava como um mercado promissor, devido à descoberta e ao início da exploração do pré-sal. “O segmento se voltou para estes setores, que seriam uma boa alternativa. Mas, agora, os prejuízos são grandes”, afirma Araújo.

 
Programa – No final de 2012, a estatal criou um programa para desenvolver polos de fornecedores da indústria de petróleo e gás no país, e escolheu o Vale do Aço como uma das sedes. Na época, o projeto-piloto para criação dos chamados arranjos produtivos locais (APLs) previa a oferta de programas de qualificação dos fornecedoras e de linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Até então, as perspectivas de crescimento da atividade ligada ao petróleo e ao gás, principalmente com a exploração da camada pré-sal, eram promissoras. Em 2012, os investimentos no setor no Brasil estavam estimados em cerca de US$ 230 bilhões até 2016. Além do Vale do Aço, seriam beneficiados arranjos produtivos no Rio Janeiro, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Até mesmo um especialista em tecnologia de perfuração de poços de petróleo em águas profundas da Noruega – país com grande know how e expertise nesse setor – visitou empresas do Vale do Aço com o objetivo de identificar e formar uma rede de indústrias para atender à demanda desses segmentos, especialmente da Petrobras.

Além disso, a Fiemg, em parceria com o Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vale do Aço (Sindimiva) e com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas) também promoveu cursos, palestras e seminários focados no setor de óleo e gás. “A expectativa é que ocorra uma retomada dos negócios e a indústria local seja beneficiada, porque se preparou para atender esse mercado”, diz o presidente da regional.

Ainda de acordo com o representante da indústria da região, pelo menos entre 10% e 15% das empresas do segmento metalmecânico instaladas no Vale do Aço já trabalhavam focadas na indústria naval e na de óleo e gás, percentual que cresce para algo em torno de 30% a 40% se consideradas aquelas que já estavam aptas a atender os segmentos.