Redes de negócio, alternativas para o momento de retomada

19/09/16

A teoria dos seis graus de separação, já não tão nova assim, e que de uma forma ou outra influenciou o fenômeno das redes sociais, aponta que são necessários no máximo seis laços de conexão para que duas pessoas quaisquer estejam ligadas. Se esta teoria estiver correta, podemos estar conectados a qualquer um, a partir de algum esforço. Em tese, a teoria funciona. Basta que cada um de nós faça um rápido exercício, imaginando a possibilidade de conexão com algum notável. Sim, dá certo!

Esta teoria se aplica aos negócios, na medida em que os relacionamentos nos permitem conexões com os tomadores de decisão e, por conseguinte, a realização efetiva de oportunidades planejadas. Assim, entra em cena o conceito da rede de negócios, que é uma ferramenta de Route to Market, de baixo custo, que propicia a criação de oportunidades e geração de contatos qualificados, em uma relação de simbiose. Efetivamente é também um caminho para a geração mútua de negócios.

Não é à toa que a Ipiranga construiu parceria com a BMW oferecendo pontos de recarga para carros elétricos. Também não se pode deixar de lado as parcerias de grandes redes hoteleiras com parques temáticos mundialmente conhecidos, a Uber e a Pandora (streaming de áudio americano) oferecendo música aos motoristas, as redes de varejo regionais que vem se formando nas diferentes partes do país, entre outros tantos movimentos de aproximação de empresas que, de alguma forma, se complementam.

O fato é que esta ideia não precisa e (não fica) restrita às grandes corporações. As médias e pequenas empresas também tem buscado fortemente este movimento, não só como caminho comercial, mas também para o fortalecimento de posicionamento e reconhecimento de mercado. Para este momento de transição em que se encontra o Brasil, certamente é uma alternativa importante na retomada dos negócios e caminhos de crescimento.

A conexão entre empresas parceiras pode ter alguns objetivos diretos: construção de uma estrutura complementar de competências, a obtenção de melhores condições de compra de insumos, a articulação e aproximação junto a parceiros estratégicos, a obtenção de novos canais comerciais de parte a parte, entre outros. Por outro lado, algumas premissas precisam ser observadas para o sucesso destas articulações entre companhias. É preciso que haja uma afinidade de perfil, interesses e valores, sem os quais a estrutura base se constitui de forma fraca. É importante pensar em grandes realizações conjuntas, mas criar pilotos de atuação com menor abrangência, que tragam resultados mais rápidos e eventuais ajustes na parceria. Devem haver regras muito objetivas e transparentes entre os parceiros, estabelecendo o escopo e os limites de atuação conjunto. Por fim, é essencial que se crie modelos de negócio atrativos para as partes, eventualmente, criando caminhos para formatos de receita ainda não praticados.

Como já dito em ensaios anteriores, precisamos nos reinventar. Redescobrir os caminhos para um crescimento sustentável. Entender que a flexibilização de modelos é um caminho sem volta em nossa economia. Desta maneira, ainda que a estruturação de parcerias entre companhias não seja uma novidade, os objetivos, as formas e os modelos podem ser novos, saudáveis e inspiradores. Não há uma receita de bolo a ser seguida. Há sim muitas oportunidades que podem ser conquistadas de maneira mais efetiva e mais rápida, a partir de um esforço conjunto entre parceiros engajados.

 

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