Tecnologia: um dos elementos do desenvolvimento de produtos

16/12/14

Fala-se comumente sobre o mito do inventor, do professor pardal que, de dentro de seu laboratório, gera produtos inovadores, que se propõem a mudar o mundo. De fato, uma parte essencial do processo de desenvolvimento de produtos é justamente a ótica tecnológica, muitas vezes chamada de technologypush, quando uma determinada tecnologia emerge e provoca uma demanda de mercado significativa.

Nas empresas que desenvolvem novos produtos, o mapeamento tecnológico sistemático, a definição dos rumos do desenvolvimento tecnológico e a geração de protótipos de forma continuada, permite que este papel tão importante seja realizado. Os responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico das companhias ditam os ritmos da pesquisa e do desenvolvimento, mais conhecido de forma genérica como P&D. Esta atividade é realizada de formas distintas, dependendo do porte, do segmento, das competências internalizadas e da maturidade da empresa.

A despeito da importância do P&D, ele sozinho não é capaz de cumprir os objetivos do processo de desenvolvimento de produtos no que tange à duas dimensões também alinhadas ao tema: a informação e a gestão. A gestão de desenvolvimento de produtos, ou GDP, cumpre o papel de buscar a integração dos elementos Gestão e Informação com a Tecnologia. Neste sentido, entende-se a GDP como dois grandes ciclos de pensamento. Um estratégico que visa pensar no portfólio ideal de produtos para uma empresa, e um operacional que visa implementar o desenvolvimento dos mesmos. No primeiro ciclo falamos do monitoramento contínuo de informações mercadológicas e de tecnologia, da ideação e priorização das ideias de produtos mais viáveis e atreladas à estratégia e objetivos financeiros da empresa. No segundo ciclo, falamos de entender as demandas do público alvo, definir conceitos vencedores, analisar de forma detalhada os aspectos financeiros, discutir e definir estratégia de marketing, gerar, testar e aprovar protótipos e, finalmente, preparar para lançamento e produção. O P&D se integra ao processo do GDP, oferecendo interfaces importantes em ambos os ciclos citados acima.

Desta forma podemos entender o GDP como uma visão mais abrangente e holística, enquanto o P&D se concentra mais nos aspectos tecnológicos durante o desenvolvimento de produtos. A grande preocupação do GDP é possibilitar a geração de produtos vencedores, que possam atender melhor às necessidades dos seus mercados foco, minimizando os riscos envolvidos nos grandes volumes de investimento que normalmente são direcionados a estes processos. Normalmente estas atividades são multidisciplinares. Vários departamentos de uma empresa estão envolvidos nesta discussão: marketing com os inputs e outputs relacionados ao público alvo, suas necessidades e os conceitos relacionados, comercial com os inputs sobre as percepções de mercado e oportunidades, produção com a ótica da capacidade de entrega, P&D com a visão da tecnologia e das possibilidades com relação às plataformas atuais e futuras. A articulação destes conteúdos, como pode ser observada na figura abaixo, garante o sucesso no programa de desenvolvimento de produtos de uma companhia.

 

 

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