Sustentabilidade e os desafios de pensar diferente

24/03/15

O termo “sustentável” provém do latim sustentare, que pode ser entendido como sustentar, conservar, cuidar. Defende que o uso sustentável dos recursos naturais deve “suprir as necessidades da geração presente, sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas”. A sustentabilidade apresenta um conceito simples: cuidar dos interesses coletivos, com visão de longo prazo, em detrimento muitas vezes dos nossos interesses imediatistas. Equação difícil de resolver.

No campo das empresas, a sustentabilidade tem ganhado importância, impulsionada pela percepção crescente da sociedade em geral, e do próprio setor privado, que tem enxergado que iniciativas sustentáveis contribuem diretamente para melhoria de seus resultados, especialmente em momentos de escassez. A crise de bens essenciais nos faz despertar, mesmo que tardiamente. No entanto, várias empresas que demonstram preocupação com o tema, tem sido mais provocada por movimentos externos, do que por valores intrínsecos. A sustentabilidade tem se mostrado nesses casos como bandeira fincada em solo arenoso. Reféns do vento, dificilmente essas empresas ficarão de pé por muito tempo.

Temos visto um movimento crescente no sentido de se ter empreendimentos, que nascem com a visão da sustentabilidade na sua concepção. Ou mesmo empresas já constituídas, que continuamente tem incorporado um olhar mais alinhado a essa questão. Passa ser fundamental cada vez mais para o sucesso dos negócios, que a proposta de valor alcance, além do objetivo de atender as necessidades de seus clientes, a visão maior de cuidar do planeta. Negócios sustentáveis são aqueles que tem a capacidade de transformar o mundo e as pessoas pra melhor.

Os parâmetros usados para medir os resultados das organizações também precisam ir além dos tradicionais indicadores financeiros. A dimensão econômica será sempre importante, pois não é possível compartilhar sem geração de riqueza. Porém, os negócios podem ser mecanismos para ajudar na solução de graves problemas sociais, promovendo ações sustentáveis numa escala abrangente.

Numa visão otimista, acredito que aos poucos vamos entender como resolver essa equação. Nós executivos, consultores, empreendedores que contribuímos para o desenvolvimento de negócios, precisamos acelerar a assimilação dos princípios da sustentabilidade na essência das empresas. O caminho da inovação como instrumento para criação de tecnologias que nos permitam um melhor aproveitamento dos recursos e um consumo mais consciente, a visão de compartilhar conhecimentos e envolver comunidades vizinhas às organizações, gerando desenvolvimento local, como parte integrante de uma visão maior de negócio, são exemplos que nos mostram que é possível promover essa transformação.

Vivemos num momento onde a reflexão sobre o tema é imprescindível. Em última linha, pensar em empresas mais sustentáveis talvez tenha como maior desafio as mudanças internas que nós, enquanto pessoas, precisamos promover. Compreender o nosso papel na construção de um mundo mais equilibrado passa por nós. A educação e o compromisso com o futuro, especialmente à partir da formação dos mais jovens, são fatores chaves. Que possamos avançar e encontrar novos caminhos para fazer bons negócios, hoje e amanhã.

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