Estratégia, Estrutura e Competências – qual o encaixe?

06/01/15

Em tempos de forte dinâmica no ambiente competitivo, normalmente traduzido em crises ou saltos de resultado e até mesmo em pela incapacidade de se prever o que acontecerá, muitos nos perguntam qual o melhor momento para se realizar um planejamento estratégico, uma revisão da estrutura organizacional ou o desenvolvimento de competências organizacionais e individuais. A resposta? Sempre.

A questão correta aqui não é quando, mas sim como e em que intensidade. Isso porque, independente do contexto e de especificidades de cada ambiente ou segmento, a eficiência de um negócio depende integralmente da ação planejada e integrada dessas três dimensões da gestão organizacional. A cegueira seletiva de uma ou mais dessas dimensões afeta sobremaneira a sustentabilidade e até mesmo a sobrevivência do negócio.

Qual seria então o encaixe entre essas três dimensões? A figura a seguir apresenta como se dá a mobilização combinada da tríade Estratégia – Estrutura – Competências.

O direcionamento e encaixe entre as três dimensões se inicia com a Estratégia. A partir da definição estratégica, são desdobrados o posicionamento (que determina a razão de ser da organização, os valores compartilhados e o domínio de atuação) bem como os objetivos e metas (que estabelecem a finalidade do negócio, a dimensão do desafio a ser alcançado bem como os meios pelos quais estes serão atingidos).

A partir do posicionamento estabelecido, se define na Estrutura Organizacional a forma e hierarquia (nas quais são definidas as estruturas de poder/decisão e de fluxo de informações). Cada formato de estrutura (funcional, por produto/negócio, etc.) privilegia diferentes capacidades de processamento de informação, mais ou menos correlacionadas com o posicionamento. Este também impacta na delimitação da hierarquia, que determina maior ou menor concentração de poder e reflete a necessidade de velocidade e/ou multidisciplinaridade na tomada de decisão. Aqui também serão definidos mecanismos de coordenação e integração (processos e regras essenciais para garantir que competências localizadas se tornem organizacionais). Tais mecanismos são observados em processos formais ou informais e são estabelecidos para minimizar lacunas de integração inerentes aos formatos organizacionais.

As Competências Organizacionais fecham a integração da tríade a partir do planejamento e do gerenciamento dos ativos estratégicos (recursos e capacidades essenciais para a vantagem competitiva de uma organização). Esses ativos constituem a base para o alcance dos objetivos e metas traçados pela organização e determinam a sustentabilidade da estratégia definida. É também nessa dimensão que a estratégia será desdobrada nas diferentes unidades e departamentos impactando a estrutura organizacional ao definir as entregas essenciais (que constituem os produtos e serviços a serem entregues por cada departamento, setor ou unidade de negócio para compor a entrega macro definida no plano estratégico).

Há uma conexão íntima entre as dimensões e a “falha” em qualquer delas é fatal para a competitividade. O que observamos normalmente é uma cegueira seletiva, refletida na percepção enganada de que o olhar dos gestores deve se concentrar em uma dimensão por vez. Obviamente a intensidade varia em função do contexto e do momento, mas as três dimensões devem sempre ser consideradas em conjunto.

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