Fábricas de startups: um modelo na vanguarda do mercado

02/04/15

Os ecossistemas de inovação são grandes exemplos de balanceamento entre riscos e oportunidades. As startups apresentam grande nível de incertezas e, ao mesmo tempo, se bem planejadas e geridas, podem ter alto potencial de ganhos. Não encontramos no Brasil um ambiente de inovação maduro, cuja cadeia de valor se retroalimenta de forma harmônica e sistêmica, como por exemplo no vale do Silício. Por outro lado não temos uma condição restritiva envolta em conflitos bélicos, infertilidade do solo, falta d´água (embora esta última tenha surgido nos últimos tempos), como Israel. As duas situações empurram e incentivam o empreendedorismo tecnológico, seja na abundância ou na restrição, colocando estes dois países, mesmo em contextos totalmente diferentes, como destaque no cenário mundial. Neste contexto, precisamos enxergar caminhos que possam, de alguma forma catapultar nosso desempenho no cenário de startups.

Em nossa cadeia de valor, alguns elos ocupam posição importante, exercendo diferentes papeis: as Incubadoras que ajudam a amadurecer ideias em possibilidades de negócio; as aceleradoras que têm uma ótica de ligar as oportunidades às suas rotas de mercado, fazendo conexões estratégicas e encurtando caminhos, muitas vezes auxiliando com gestão; os fundos e as gestoras de fundos visam gerir portfolios de oportunidades, de forma a entregar recursos financeiros e relacionamento às investidas, entre outras variações.

Discute-se hoje em dia uma modelagem de negócio que difere um pouco dos formatos anteriormente discutidos. Entende-se que se uma determinada empresa tem profundo conhecimento de um mercado, detém uma plataforma tecnológica, possui uma rede de relacionamentos extensa e possui acesso à capital, ela poderia adotar o modelo do venture builder, também conhecido como fábrica de startups ou estúdios de tecnologia. O seu princípio básico é utilizar os ativos estratégicos acima descritos, para implementar uma verdadeira operação de construção de empresas. As ideias vêm de dentro da própria organização, muitas vezes identificadas a partir de oportunidades reais de mercado. O venture builder utiliza todos os seus recursos para garantir o sucesso de suas startups. Sob o ponto de vista gerencial é essencial ter ferramentas poderosas para uma seleção ideal de oportunidades. Além disso é fundamental planejar o negócio e o projeto de implantação da nova spin-off de forma muito criteriosa, minimizando riscos e maximizando o potencial de resultados.

É claro que este modelo não pode ser exercido por uma startup típica, porque ela ainda não conquistou estes ativos listados acima. Entretanto, outros tipos de empresas, mesmo aquelas que já foram startups um dia, podem pensar em se estruturar desta forma, enxergando alternativas de geração de spinoffs, e de novas unidades de negócio, a partir de seu core business. Isto permite um ciclo virtuoso de geração de valor, pautado em competências instaladas e provadamente eficazes.

Cegas são as organizações que fecham suas percepções e olhares para os diferentes modelos de negócio que são vanguarda mundialmente. Estes formatos podem se tornar excelentes alternativas para driblar a atual crise brasileira. Seja para viabilizar modelos sustentáveis de geração de startups, seja para criar modelos inteligentes para novas unidades de negócio.

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