Manual de sobrevivência – Parte 6: características distintivas que separam campeões de derrotados

22/08/16
Por: Luiz Castanheira Polignano

A crise está aí! E não vai ser ligeira.

As vendas despencaram! E elas não ressurgirão por “geração espontânea”.

Os resultados estão derretendo! E não serão muito diferentes se as atitudes gerenciais forem muito iguais.

As secções anteriores do artigo “Manual de Sobrevivência” refletiram sobre as dificuldades presentes em períodos de Recessão e oportunidades que brotam em épocas de Recuperação. A quinta parte ressaltou mudanças no ambiente de negócios, com o possível esvaziamento de práticas que flertam com a estrutura de poder, e consequente robustecimento de Habitats de oportunidades de negócios saudáveis, éticos e sustentáveis. Nessa sexta seção serão realçadas as características distintivas de empresas que aproveitam o momento de crescimento para construir sua trajetória campeã.

Embebido pela exuberância dos Jogos Olímpicos Rio 2016, e pela dedicação de tantos talentos imbuídos pela busca da medalha, é relevante ressaltar a mínima distância que separa o atleta campeão dos demais competidores. Salvo raríssimas exceções de atletas ou times extraordinários como Bolt, Phelps e o “Dream Team”, cuja derrota causaria estranheza, a grande maioria das competições iniciam com única certeza: o vencedor será aquele que estiver mais bem preparado (em termos técnicos, físicos e psicológicos) a ponto de superar adversários por centímetros ou centésimos.

As competições do mercado guardam similaridades com o ambiente esportivo. Empresas extraordinárias existem. Competir com Google, Coca-Cola, Nestlé e Apple, por exemplo, não é tarefa para qualquer oponente e exige esforço monumental (como os de Gatlin e Grasse nos 100 metros rasos) para minorar a distância e postular vaga de sucessor.

Assim como no esporte, o doping também está presente no ambiente de negócios e deve ser banido, permitindo a vitória dos melhores, e não daqueles que corrompem e causam danos irreparáveis ao público. Acreditamos que o doping, ainda muito comum no ambiente de negócios brasileiro, será minorado, tornando a disputa de mercado justa e ética.

Subtraindo os competidores naturalmente fenomenais e os “campeões artificiais”, a conquista da medalha (lê-se busca por um bom posicionamento de mercado) será alcançada por aquelas empresas que se encontrarem mais preparadas em termos técnicos (competências organizacionais), físicos (recursos físicos e financeiros) e psicológicos (formulação estratégia).

Se a evolução do mercado possui comportamento característico, resultante da soma de diversas curvas organizacionais, a amplitude e o período de cada uma é fruto da construção de cada empresa. O que irá diferenciar uma curva de outra, diante das restrições e oportunidades específicas de cada setor, será o preparo das empresas diante das opções técnicas, físicas e psicológicas capazes de acelerar (ou retardar) e ampliar (ou encolher) a senóide de crescimento organizacional. A figura a seguir ilustra curvas de campeões e derrotados diante de uma curva setorial.

 

 

As empresas bem preparadas estarão presentes na curva dos campeões. A diferença de posicionamento entre elas será mínima, explicada por suas características distintivas: engajamento de competências técnicas e gerenciais; maximização da exploração dos recursos operacionais e financeiros; e alinhamento da estratégia às tendências e restrições globais e locais.

Por outro lado, as demais empresas, desprovidas de atributos técnicos, físicos e psicológicos, farão parte da curva dos derrotados. Essas não possuem recursos suficientes para participar da disputa setorial e/ou não formularam estratégia capaz gerar vantagem competitiva e/ou possuem gaps de competências que travam a operacionalização efetiva da estratégia.

Um novo ciclo olímpico irá iniciar. Uma nova época de crescimento econômico está por vir. Alguns competidores irão se classificar para disputar uma ou outra modalidade. A grande maioria não alcançará índice suficiente para participar.

As empresas brasileiras estão se preparando devidamente para alcançar o índice de competitividade no setor escolhido?

Enxergar o comportamento do setor, formular estratégia assertiva, mobilizar competências adequadas e alavancar os recursos necessários são atividades de preparação. Sem a devida preparação, nem mesmo um competidor fenomenal se credenciará para a grande disputa.

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