Melhoria versus Transformação: rotas distintas e complementares para a evolução das organizações

20/01/15

A transição de ano é momento de reflexão organizacional. Responder questões sobre metas, perspectivas e orçamento é parte desse ínterim, especialmente nessa passagem de 2014 para 2015, quando as incertezas sobre o destino do país tomam de assalto o destino das empresas.

Promover a evolução das organizações é senso quase comum dos líderes empresariais. O apetite ao risco e o desejo de se fazer valer diante das oportunidades e dos problemas fazem parte da personalidade do executivo-empreendedor. Mesmo em tempos difíceis (como os que temos enfrentado), grande parte das organizações almeja crescer, de alguma forma, em alguma direção.

Há quem diga que diante da crise surgem as grandes oportunidades. E é com esse espírito que muitas empresas vêm delineando suas metas para os próximos anos. Questão essencial a ser definida por elas é a rota a ser perseguida.

As ambições organizacionais podem ser mais ou menos agressivas. Existem opções de crescimento sustentável, em detrimento a outras escolhas mais radicais. A definição da intensidade da evolução não deve negligenciar as dimensões tempo e dinheiro. Restam aos líderes escolher entre dois caminhos para a evolução: melhoria versus transformação.

Escolher a rota da melhoria significa almejar geração de valor incremental, não realizar grandes investimentos, conduzir iniciativas simples que permitem colher resultados no curto prazo, aperfeiçoar o atendimento às necessidades dos clientes dispondo minimamente de recursos adicionais. As iniciativas que vão ao encontro dessa rota são: redução de gasto, aperfeiçoamento de processos-chaves, revisão do portfólio de produtos e serviços e aperfeiçoamento das relações comerciais.

Já o caminho da transformação é outro. O desejo é ambicioso e trata de saltos exponenciais na geração de valor de médio/longo prazos. Para isso, deve-se focar o desenvolvimento de competências organizacionais e investir substancialmente na oferta de recursos para se destacar no atendimento das necessidades dos clientes. As iniciativas alinhadas à transformação são: desenvolvimento de novas rotas de atendimento ao mercado, lançamento ou aquisição de tecnologias que sirvam de plataformas para novos produtos e serviços, criação de significados valorosos de marca e estabelecimento de vantagens competitivas através da estrutura de custos e de tributação.

A figura abaixo ilustra as rotas de melhoria e de transformação a partir da movimentação da organização em dois eixos: necessidades dos clientes e alocação de recursos da empresa.

Se o objetivo do executivo-empreendedor é promover o crescimento da organização, é essencial dar luz à intensidade da evolução diante do tempo necessário e dos recursos disponíveis.

Míopes são as organizações que miram sua transformação, mas oferecem recursos e tempo suficientes apenas para angariar pequenas melhorias. Cegas são aquelas que não veem a melhoria como estação obrigatória para a transformação organizacional.

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