O boom das startups: estruturas de suporte às startups – Parte 3

06/07/17
Por: Bruno Pfeilsticker

A discussão sobre o tema startups não fica mais restrito aos ambientes dos jovens empreendedores de tecnologia. As médias e grandes empresas passam a tratar o tema como uma vertente estratégica e, por incrível que pareça, o tema permeia as discussões das mesas de bares e até dos encontros familiares. As startups entraram em nossa vida, mudando os hábitos, resolvendo problemas e criando novas oportunidades.

Historicamente os mecanismos de suporte às startups tem tido um papel importante na estruturação e no direcionamento ao sucesso das mesmas. É preciso que se compreenda não somente como ajudar a maximizar a chance de sucesso destes empreendimentos a partir de tais mecanismos, mas também qual o melhor encaixe nos mesmos. Os referidos mecanismos estão relacionados a momentos distintos de maturidade destas empresas. Empresas em estágios mais iniciais podem ser auxiliadas pelas incubadoras ou programas de pré-aceleração. As empresas mais maduras podem ser acolhidas pelas aceleradoras de empresas.

Incubadoras têm o papel de ajudar a amadurecer uma ideia, a desafiar o perfil empreendedor dos proponentes desta ideia, a construir um mínimo produto viável (ou MVP) e a possibilitar o encaminhamento de validação do negócio. As aceleradoras têm o papel de ajudar no tracionamento mercadológico de empresas com produtos e negócios já validados, com geração de receitas. Incubadoras tem como princípio básico o fomento ao movimento das startups. Estão, muitas vezes, baseadas nas instituições de ensino, se sustentam e apoiam as incubadas a partir dos recursos não reembolsáveis de órgãos governamentais, e não recebem equity das empresas apoiadas. Por outro lado, as aceleradoras têm um olhar de investimento. Normalmente são instituições privadas, aportam valores financeiros e dão suporte para robustecimento das rotas de mercado, em troca de equity das empresas apoiadas. Os valores aportados, no Brasil giram em torno de R$ 150 mil reais. Nas aceleradoras internacionais este valor gira em torno de US$ 120 mil. As participações obtidas giram em torno de 6% a 15%.

As estatísticas de ecossistemas de inovação maduros apontam para alguns indicadores de sucesso, especificamente para aceleração de empresas. Normalmente 50% das empresas investidas não progridem. Em torno de 30% das empresas retornam o investimento. Em torno de 18% geram um retorno significativo sobre os investimentos realizados e, apenas 2% trazem um retorno realmente diferenciado sobre o investimento. Desta maneira é importante que se construa um bom portfólio de startups investidas para que se tenha uma chance de sucesso maximizada.

Especificamente no que tange aos programas de aceleração há um descompasso entre os conceitos e as práticas, no Brasil. O programa de aceleração tem selecionado ideias, quando deveriam buscar negócios e produtos já validados. De certa maneira, o conceito fica desvirtuado, pois ao invés de focar na articulação e tração comercial da empresa, muitas vezes a preocupação é em validar as ideias. Desta forma, as chances de sucesso ficam mais comprometidas, tanto pela ótica da startup quanto pela ótica da aceleradora.

Em parte, este descompasso pode ser explicado pelo mercado e ecossistema imaturo, no Brasil. Muitas vezes é difícil a identificação de startups que estejam em um estágio mais adequado para alinhamento com as aceleradoras. Desta maneira é importante refletir quais são os melhores mecanismos de suporte às startups no país, especialmente quando as grandes empresas, de maneira geral, passam a entender o mundo das startups como uma alternativa para a Reinvenção de seus modelos de negócio.

 

 

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