O Salvador da Pátria não existe! E agora?

05/09/16

Em se tratando de cegueiras, talvez a mais comum entre as empresas (e mesmo entre as pessoas físicas) seja a crença na existência de um “Salvador da Pátria”. Por mais virtuosos que os líderes sejam, e são assim chamados justamente por possuírem virtudes que os credenciam a conduzir grupos em uma determinada direção, tais líderes (sozinhos) não são capazes de alcançar resultado algum. O argumento a ser ressaltado aqui é o seguinte: a competência (pessoal ou organizacional) e a geração de resultado advinda dela é essencialmente coletiva.

Por mais diferenciado que seja um indivíduo, seu sucesso dependerá fortemente de dois componentes: (1) o contexto ambiental em que se encontra, com os inputs (demandas, limitações impostas, características culturais, etc.) e as oportunidades que lhe são oferecidas e (2) a equipe que estará a seu lado combinando as diferentes competências e mobilizando-as em prol da geração de um objetivo compartilhado.

 

 

Estes dois componentes representados na parte à esquerda da figura funcionam como um caldo de oportunidades que, se mobilizadas e direcionadas podem alcançar um objetivo comum gerando um resultado extremamente complexo que sobrepõe a simplicidade da competência do indivíduo.

Mas como entender essa construção? Os verbos de ação descritos na figura nos ajudam nesta compreensão. É da natureza do indivíduo o saber e o querer agir, ou seja, ter a vontade e a disposição para aplicar seus conhecimentos e habilidades para produzir alguma mudança no ambiente que o circunda. No entanto, só esses atributos não são suficientes para a construção do resultado, ao menos não um resultado complexo e impactante. Tal resultado só acontece em um ambiente que favoreça dois outros verbos importantes: O poder agir, associado a recursos (humanos, financeiros, tecnológicos e infra estruturais) que serão disponibilizados para que as diferentes pessoas promovam a mudança planejada por meio do saber combinar a diversidade presente no grupo de forma organizada.

O que se depreende do modelo apresentado é que seria muito simplista acreditar que um “Salvador da Pátria” conseguiria resolver todos os problemas de uma empresa (ou mesmo de um país) como em um passe de mágica. Um grande líder, no máximo, antecipa ou vislumbra um resultado e o apresenta e convence os demais que aquele caminho é viável. Não há mágica e não há uma solução simplista para problemas e questões complexas que o ambiente nos impõe constantemente. Pensar o contrário implica em perda de tempo, de recursos e o aprofundamento de problemas. A solução? Criar mecanismos para que as pessoas possam expressar suas competências individuais e mobilizá-las em conjunto com outras pessoas em prol de um objetivo comum.