Sorte nos negócios… ela existe?

01/08/16

A sorte ou o azar são fatores místicos que em muitos momentos da nossa vida cotidiana estão presentes. Para alguns, essas questões fazem parte do destino, para outros, associam mais à fé em algo maior, mas indubitavelmente, de uma maneira ou de outra, o nosso sucesso ou fracasso em várias atividades passa por essas dimensões. O gol improvável no último minuto do jogo que consagra um time, o acidente evitado por não estar naquele local imediamente antes do desastre, um encontro casual que promove geração de bons negócios, são alguns exemplos que ilustram essa questão. Diante disso, qual é o peso da sorte, ou da falta dela, no sucesso empresarial?

Se olharmos alguns casos bem-sucedidos no mundo dos negócios vamos identificar situações onde a combinação entre visão empreendedora, trabalho e o fator acaso, contribuíram para o atingimento do êxito. A súbita explosão do Facebook, gerado a partir de uma “brincadeira” de universitários da Harvard, e a própria criação da Coca-Cola, onde reza a lenda que o farmacêutico John Pemberton pretendia desenvolver um novo tônico quando misturou aromatizante cor de caramelo com água gaseificada, são exemplos clássicos.

Para o autor Max Gunther, que em 1977 escreveu o livro O Fator Sorte, existem cinco características que podem de alguma forma induzir esse processo, obviamente dentro de determinados limites. Tomo a liberdade para citá-las: 1) A estrutura em teia de aranha – as pessoas com sorte a usam para criar canais pessoais por onde a boa sorte pode fluir; 2) A capacidade intuitiva – homens e mulheres de sorte estão instintivamente cientes, quando não de forma consciente, do que é possível perceber mais do que conseguimos ver; 3) O fenômeno  audentes fortuna juvat (a fortuna favorece os audaciosos) – em geral, a vida com sorte é vivida em zigue-zague e não em linha reta; 4) O efeito catraca – é usado instintivamente pelos sortudos para impedir que a má sorte se torne pior sorte; 5) O paradoxo do pessimismo – dizer que os irresponsáveis são sortudos é altamente enganoso, pois não combina com a vida da maioria das pessoas de sorte.

Trazendo para o mundo gerencial, e estabelecendo um paralelo com os tópicos acima, podemos ver que as boas práticas de planejamento nos negócios e de relacionamento com o mercado, em muito podem contribuir para a sorte das empresas. No fundo, quando adotamos essas iniciativas, busca-se com isso, sempre minimizar os riscos dos negócios, ou seja, reduzir as chances do azar bater em nossas portas, e ao menos tempo potencializar a capacidade de geração de resultados, permitindo que os ventos favoráveis da sorte nos impulsionem. Portanto, é falsa a percepção de que a organização nos negócios e o senso instintivo, o feeling, são características antagônicas. De fato, elas se complementam em certo grau.

Combinar esses fatores é um exercício diário, que requer esforço, dedicação nos empreendimentos que desenvolvemos, sem com isso inibir as nossas percepções e leituras mais sensitivas que temos a respeito do mundo. Parafraseando Inácio de Loyola, também no ambiente de negócios, devemos trabalhar como se tudo dependesse de nós, e confiar como se tudo dependesse do destino, ou de algo maior. Talvez a medida da sorte esteja na capacidade que temos de equilibrar esses dois olhares.

 

 

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